sexta-feira, 21 de julho de 2017

A CRIAÇÃO DO PATRIARCADO E A IMPORTÂNCIA DA HISTÓRIA DAS MULHERES

Um livro que recomendo muitíssimo e que não entendo se não for leitura obrigatória em todas as faculdades de História (no mínimo) é The Creation of Patriarchy (A Criação do Patriarcado), publicado pela americana (nascida na Áustria) Gerda Lerner (1920-2013) em 1986. 
O livro ainda não foi traduzido para o português (aqui tem a introdução traduzida!), mas tem uma tradução em espanhol que pode ser vista aqui. Minha mãe me disse que uma leitora e comentarista do blog nos seus primórdios, a Susana, vai traduzi-lo pro português. Espero que sim, porque a obra é fundamental.
O que Lerner diz na introdução do seu clássico é que conhecer a história das mulheres é indispensável para a emancipação das mulheres. Estudar história das mulheres muda a nossa vida. Lerner observa isso nas alunas. “Nenhum homem foi excluído do registro histórico por causa do seu sexo, mas todas as mulheres foram”, escreve ela.
Lerner explica que o patriarcado é uma criação histórica formada por homens e mulheres num processo que durou 2,500 anos até ficar completo. Por ter um início na história e por não ser natural (baseado no determinismo biológico), pode ser derrubado. A unidade básica era (e é) a família patriarcal, que impõe e gera regras e valores. 
Lerner aponta que o controle dos chefes de família homens sobre suas mulheres e filhos menores era tão importante para a existência do Estado quanto o controle do rei sobre seus soldados. Afinal, “A família não apenas espelha a ordem do Estado e educa suas crianças a segui-la, como também cria e constantemente reforça essa ordem” (minha tradução). 
O patriarcado ferra a tds nós
Lerner ressalta que o sistema patriarcal só funciona com a cooperação das mulheres, que é adquirida através da doutrinação, da privação da educação, da negação das mulheres sobre sua história, da divisão das mulheres entre respeitáveis e não respeitáveis (sempre relacionada à condição sexual, a ser ou não ser propriedade de um homem), da coerção, da discriminação no acesso a recursos econômicos e poder político, e da recompensa de privilégios de classe dada às mulheres que se conformam.
Uma das funções da história é preservar o passado coletivo e reinterpretá-lo para o presente. Aprendemos o passado também para poder evitar erros. Mas às mulheres é negado um passado. A própria Simone de Beauvoir, sempre uma referência indispensável, disse que as mulheres não têm passado, não têm história. Mas a história das mulheres só passou a ser escavada e descoberta no século 20. Até o século 19, toda a história era para as mulheres pré-história, diz Lerner. Mas aprendemos que mulheres sempre criaram, sempre foram agentes da história e da civilização. 
Lerner desenvolve as seguintes proposições brilhantes no livro (cada uma vale um capítulo): 1) a apropriação pelos homens da capacidade sexual e reprodutiva das mulheres ocorreu antes da formação da propriedade privada e sociedade de classes. A mercantilização das mulheres é a fundação da propriedade privada. 2) Os estados arcaicos eram organizados na forma do patriarcado, ou seja, desde o início o Estado tinha interesse na manutenção da família patriarcal. 
Roupinha para bebê:
urine no patriarcado
3) Homens aprenderam a exercer dominação e hierarquia sobre outras pessoas praticando com as mulheres do seu próprio grupo. A escravização começou com mulheres sendo escravizadas (Lerner faz uma distinção entre escravos e escravas: homens escravos eram explorados para o trabalho. Já as mulheres escravas eram exploradas para o trabalho, para serviços sexuais e para reprodução. Não é comum escravos homens serem estuprados. Mas, entre escravas, é a regra).
O patriarcado é um esquema
de pirâmide
4) A subordinação sexual das mulheres foi institucionalizada já nos primeiros códigos penais. A cooperação das mulheres com o sistema era assegurada através da força, da dependência econômica no chefe homem da família, dos privilégios de classe dados a mulheres conformadas e dependentes das classes altas, e da divisão artificialmente criada entre mulheres respeitáveis e não respeitáveis. 
Desaprenda sexismo, acabe
com a cultura de estupro,
mate o patriarcado
5) Classe para os homens era e é baseada na sua relação com os meios de produção (quem tem os meios pode dominar os que não têm). Para mulheres, classe é mediada de acordo com seus laços com um homem, que pode dar-lhe acesso a recursos materiais. Mulheres respeitáveis são aquelas ligadas a um homem. 
6) O poder feminino em dar vida é idolatrado por homens e mulheres (através de deusas) mesmo depois das mulheres estarem subordinadas aos homens. 
7) As deusas poderosas são destronadas e substituídas por um deus masculino dominante após um estabelecimento de um forte reinado imperialista. Sexualidade e procriação são separadas para cada função, e a mãe-deusa é transformada na esposa ou amante do chefe masculino. 
Ah, sei lá. Diga a Adão para experi-
mentar com o patriarcado por um
tempo e aí vemos como funciona
8) A emergência do monoteísmo hebreu vira um ataque a cultos de várias deusas da fertilidade. Criatividade e procriação são atribuídos a um deus todo poderoso, chamado de “senhor” e “rei”, ou seja, homem, e a sexualidade feminina que não for para procriar fica associada ao pecado e ao mal. 
9) O único acesso das mulheres a Deus passa a ser na sua função de mãe. 
10) Esta desvalorização simbólica das mulheres em relação ao divino se torna uma das metáforas marcantes da civilização ocidental. A outra metáfora é dada pela filosofia de Aristóteles, que assume que mulheres são incompletas e defeituosas, uma espécie diferente da do homem. É através dessas duas construções metafóricas que a subordinação das mulheres passa a ser vista como natural, ou seja, invisível. É isso que estabelece o patriarcado como uma ideologia.
E por isso que é tão fundamental conhecer a nossa história, a história das mulheres. Como diz Lerner, a negação das mulheres à uma história reforça sua aceitação à ideologia do patriarcado e detona a autoestima individual de cada mulher. Tanto é assim que várias feministas americanas fazem um trocadilho com history (his story, a história dele, a história contada pelos vencedores) e preferem adotar o termo herstory

quarta-feira, 19 de julho de 2017

O BRASIL DE 2017 É UM TITANIC

Estamos afundando. E vocês achando que não tinha como ser pior que 2016...
Em compensação, para os americanos, somos o povo mais legal do mundo. 

terça-feira, 18 de julho de 2017

HOMENS TRANS SÃO MUITO DIFERENTES DE MULHERES LÉSBICAS BUTCH

Kayden Coleman, homem trans na Flórida, e sua filha

Destaco outro comentário que a pessoa que se autointitula Maria Caladora deixou no post "Não quero ser e nem me pareço com um homem". 

Primeiramente, acho sim muito importante falar sobre as destransições e por que elas ocorrem, pois transexualidade é uma questão de auto-percepção, uma coisa que vem de dentro pra fora e como uma pessoa se vê, e não de como ela é vista ou percebida, não uma coisa de fora pra dentro, não uma percepção que parte através de uma dica de algum amigo ou sugestão de um conhecido, pois é uma questão da pessoa com ela própria, uma questão de ódio inclusive, ódio à própria existência, à vida, rejeição ao corpo, ódio aos próprios genes inclusive. 
Disforia de gênero não é nenhum passeio no parque e não é uma questão de observação alheia. Não é um psiquiatra que vem e tem que te abrir os olhos e te dizer quem você é; é você mesmo(a) que tem que ter essa percepção, e é por isso que estão acontecendo alguns diagnósticos falsos e errôneos de transexualidade, porque existem pessoas que acham que podem dizer às outras quem elas são e quem devem ser, e inclusive o que devem fazer com a própria vida. Transgenerismo não pode funcionar e ser diagnosticado assim.
Novamente, a caixa de comentários tornou-se palco do ódio transfobico, permeado não apenas pela ideologia do pseudo feminismo 'radical' mas principalmente pelas pessoas cisgeneros que insistem que através de suas óticas cisgeneristas e absolutistas podem ditar quem as pessoas trans são ou deixam de ser nesse mundo, pois acreditam que o poder está com elas e numa lógica patriarcal insistem em exercer o controle sobre a personalidade e o corpo alheio através da prisão de gênero.
Primeiro homem trans a
aparecer na capa desta
revista LGBT
Engraçado que o patriarcado é tão forte, mas tão forte, que as mesmas pessoas que dizem combater noções de gênero são as mesmas que insistem em usar fortes marcadores e limites de gênero para ditar quem as pessoas transgêneros podem ser ou não. Ou seja, elas já estão tão cegadas pela ótica patriarcal e pela cultura de gênero, que caem em um círculo contraditório, onde o patriarcado e seus conceitos cisgeneristas limitados são utilizados firmemente como argumentos transfóbicos, por quem diz que vai aniquilar gêneros, se valendo de limites de gênero.
Radfems, não sejam essas pessoas:
reaças se escandalizaram com
um homem trans que deu à luz
nos EUA esta semana e apelaram
pra velha transfobia
Mais engraçado ainda é que, honestamente, até hoje não vi homens trans, nem mulheres trans, fazerem declarações lesbofóbicas, torcerem para que lésbicas se deem mal, para que lésbicas, independentemente do grau de "feminilidade", percam algum direito, passem por algum perrengue na vida, tenham o direito de ser quem são e ditar ao mundo quem são de alguma maneira tolhido, jamais desejam absolutamente nada de ruim a qualquer lésbica que seja, pelo contrário, costumam vociferar contra a homofobia tanto masculina quanto feminina e ainda sim são, sabe-se lá o porquê, odiadxs por boa parte das ditas lésbicas butch masculinizadas que se dizem radfem 
(faço questão de fazer esse detalhamento observatório pois boa parte das lésbicas ditas femininas que conheci acham absurdos os argumentos transfóbicos por parte das radfems; assim como não são obviamente todas as butch que têm interesse no discurso transfobico e nem se identificam como feministas, além do que existe também um pequeno grupo de radfems que não apoiam a transfobia e ridicularizam as terfs [feministas radicais que excluem pessoas trans]).
Enfim, realmente não entendo a razão de tanta transfobia de uma parte dos lgbt que também estão sujeitos ao ódio irracional. Todo o discurso sobre como não existe homem de vagina, além de transfobico, lotado de determinismo biológico e cisgenerista, é também muito ofensivo.
Uma linda lésbica butch fotografada
no lindo projeto da Meg
Existe uma tremenda desonestidade intelectual em confundir uma lésbica masculinizada com um homem trans, ou dizer que a linha que divide uma coisa da outra é tênue.
Primeiramente que uma mulher lésbica masculinizada é apenas uma fulana que não se submete e não se identifica com aquilo que a sociedade espera de uma mulher, não consegue se adaptar a aquilo que a sociedade patriarcal designou como feminino e por isso traz alguns "símbolos de masculinidade" para sua vida. 
Casal de lésbicas butch: elas
não querem ser homens nem
sofrem disforia de gênero
NO ENTANTO, essas mulheres NÃO sofrem de disforia de gênero, elas não sofrem por ter uma vagina e útero, elas não DETESTAM ter ovários, elas não se entristecem em menstruar, elas não sofrem em ter um nome feminino e serem chamadas por ela, ELAS JAMAIS desejariam ter barba na cara, cintura de homem, porte físico de homem, voz de padrão masculino, cabelo no peito, nome do tipo Roberto/José, rosto masculino ou olhar para a própria genitália e enxergar lá pênis e testículos, AO CONTRARIO dos homens trans, pra quem tudo isso é muito significativo, e SOFREM em ter um corpo designado como feminino e ODEIAM com todas as forças terem nascido no sexo feminino. Sim, isso acontece e se chama transexualidade.
A própria Cássia Eller, por muitos considerada masculina, e sem muito jeito pra ser "feminina" conforme os padrões da sociedade, se dizia feminina, ou seja, jamais que ela seria um homem trans, pois ela não tinha problema em ser uma mulher, em ser chamada de Cassia e ser reconhecida como tal, ao contrário do que aconteceria se ela tivesse sido um homem trans. Portanto, é de muito mau tom confundir uma coisa com outra.
Outro detalhe crucial para desmistificar o mito de que lésbicas masculinas e homens trans podem ser colocados no mesmo balaio é que ao contrário de mulheres lésbicas, nem todos os homens trans têm interesse em manter relações afetivas ou sexuais com mulheres exclusivamente.
"Just call me sir", "me chame
de senhor", diz camiseta
deste homem trans
Sim, muitos homens trans são bissexuais, outros assexuais, outros de fato só querem romance ou sexo se for com mulheres, e já vi um inclusive que se dizia gay. Sim, o coitado vivia tendo que justificar porque namorava com homens se também tinha se transformado em homem, já que seria mais fácil ter continuado como mulher para obter a atração dos homens e sofrer menos preconceito. No entanto, ele foi enfático em dizer que nunca se identificou como mulher, nunca gostou de ter aparência e corpo feminino, e no entanto nunca se apaixonou por mulheres, nunca quis nada com nenhuma delas e sempre foi muito sincero em relação aos seus sentimentos pelos homens e em todos os seus relacionamentos com homens.
Muitas radfems posicionam-se claramente contra as pessoas trans e seus direitos, dizendo que gênero não existe, mas é de se espantar que com esse pensamento elas tenham a coragem de se considerar feministas, pois como ser feminista sem antes reconhecer que existem papéis de gênero moldando nossas personalidades e nosso modo de se relacionar com o mundo e sem admitir que existe um GÊNERO que oprime o outro?
É também de se espantar que as que mais dizem não acreditar que gênero existe e que transexuais são mulheres são as primeiríssimas a terem uma ânsia de classificar as trans em alguma categoria, em algum rótulo, e também as primeiras a se sentirem no direito de inquirir as pessoas trans sobre o gênero e corpo delas.
Continuo vendo muitas feministas com o determinismo biológico e genético na ponta dos dedos para ditar o que é ou não uma mulher. Acho isso tão contraproducente, pois desde quando é possível dissociar a figura da mulher como conhecemos dos seus marcadores sociais, históricos e culturais para considerarmos apenas a biologia?
Ainda mais considerando que nossa vida hoje é basicamente 80% artificialidade?

segunda-feira, 17 de julho de 2017

GAME OF THRONES, FEMINISTA E COMUNA

Ontem voltou a série Game of Thrones, da qual sou grande fã, principalmente depois da última temporada, totalmente feminista. 
E, no Twitter, rolou uma discussão: alguns reaças acusam a série de ser comunista. Eu acho que a série tende pro lado da esquerda sim, sem dúvida. Apoia revoluções, é contra a escravidão e a tortura... E só por ter personagens femininas que mandam já desagrada um montão de conservadores. 

domingo, 16 de julho de 2017

UM SEMESTRE FANTÁSTICO

Turma de Literatura em Língua Inglesa III

Semestre quase no fim!
Turma de Literatura IV
Nem posso reclamar muito, que o semestre na faculdade foi excelente. Tudo deu certo. Peguei talvez a turma mais perfeita desde que comecei a lecionar na UFC, em março de 2010. Não quero dizer qual é pra não deixar outras turmas com ciúmes. Todas as turmas são ótimas, pra falar a verdade. Os alunos e alunas têm aquele brilho nos olhos de quem quer aprender. 
Mas acho que nunca recebi tantos elogios. Um aluno escreveu que eu sou "um presente de Deus para o nosso currículo", por exemplo. 
Turma de Inglês V
Outro: "Vc nos motivou de uma forma que eu me sentia mal quando tinha que chegar atrasado ou faltar". E vários ressaltaram a autonomia que dou a eles nas aulas como uma das qualidades. Tento oferecer opções, deixar que eles escolham, porque sabem escolher.
Às vezes preciso citar alguns elogios. Sou tão xingada diariamente por gente que sequer me conhece que é bom destacar o que pessoas que convivem comigo pensam de mim. Ou pelo menos das minhas aulas.
E a turma do curso de extensão, mais uma vez, também foi sensacional. Tivemos apresentações incríveis das alunas. Algumas querem promover uns seminários levando pra fora o que discutimos nas aulas. 
Agora tenho que recadastrar o curso no georreferenciamento, e uma das coisas que eles pedem é uma foto. E eu não tinha tirado foto este semestre! Corri pra checar os emails e vi que uma aluna querida havia enviado imagens de uma ação que fizemos em novembro.
Curso de extensão Discutindo gênero
através de literatura e cinema no
Bosque da UFC em novembro
Nosso próximo curso de extensão já está marcado pra começar bem no início de setembro. É aberto a toda comunidade, é grátis, na UFC, CH1, Benfica. Pra se inscrever, é só me enviar um email: lolaescreva@gmail.com
Esta semana eu vi o memorial que uma professora apresentou para se tornar titular na UFC. Se não estou enganada, ela é a quarta docente do Centro de Humanidades da UFC a conseguir esse título, o ápice de um professor na universidade pública. E o memorial era lindo, cheio de fotos de toda a sua vida, principalmente sua vida acadêmica, claro. Nessa hora eu lembrei como é importante registrar imagens. Preciso fazer mais isso.
Agora que estou quase de férias, eu e o maridão vamos passar uma semaninha em praias do Ceará. É pouca coisa, porque estamos economizando pra nossa viagem internacional, pra Colômbia e Cuba, em dezembro, e também porque em breve o maridão vai pra Cuiabá jogar um torneio de xadrez. Eu queria ir também, queria conhecer Mato Grosso, mas não dá, tenho um monte de coisas pra fazer, e a passagem é cara (quase mil reais, ida e volta). 
Participação especial na foto: Calvin
Pessoas queridas, ainda tenho quatro exemplares do livro Gênero, Cultura e Mídia para vender. Tem um artigo meu no livro (sobre gênero e cinema), pode ver no índice (falta a segunda página do índice).
Custa R$ 40 e você recebe o livro em casa. 
Antes de depositar o valor na minha conta -- Banco do Brasil, agência 3653-6, conta 32853-7, ou Santander, agência 3508, conta 010772760 --, me mande um email (lolaescreva@gmail.com), pra saber se os exemplares ainda estão disponíveis.
Agora preciso escrever uma opinião sobre o livro que acabei de ler, o clássico Os Homens Explicam Tudo para Mim, de Rebecca Solnit. A editora Cultrix vai lançar o livro em português e pediu o parecer de algumas feministas brasileiras. Por isso, mandou o boneco do livro pra mim. Olha, é imperdível. 
E me animou bastante pra escrever meu próprio livro, atrasado uns quatro anos... 

sexta-feira, 14 de julho de 2017

POR QUE MULHERES DIZEM QUE HOMENS NÃO PRESTAM

Ontem a querida Zzacchi me enviou este tópico escrito por Zion, uma garota negra no Twitter (um tópico espetacular que já passou dos 91 likes) e eu pedi pra ela traduzir. Super obrigada, !

Se você é um dos bonzinhos, segue teu rumo, isso não é sobre você.
1 - Vcs chamam mulheres de puta pra tudo. Somos putas por filtros no SnapChat, por termos um monte de seguidores/curtidas, por ir a festas, basicamente por estarmos vivas.
2 - Vcs fazem slut shaming conosco por usar roupas reveladoras e argumentam que a gente devia "deixar um pouco pra imaginação". Então é errado a gente optar por mostrar nossos corpos mas perfeitamente ok vocês imaginarem como somos por baixo das nossas roupas? Tchau.
3 - Falando de slut shaming, vcs querem uma mina selvagem mas esculacham quando ela é sexualmente ativa e abraça sua própria sexualidade, 3+4 = peixe?
4 - Vcs acham que mulheres precisam da sua permissão pra usar algo revelador. Que tipo de doideira insegura e controladora é essa?
5 - Sempre que vcs veem uma mulher livre aqui vocês ficam pensando na vida sexual da futura filha de vocês. Isso é nojento e bizarro pra ca*alho. A vida sexual das suas filhas não é assunto seu, seus escrotos.
6 - Vcs acham que tudo é gay, desde mostrar emoções a ter higiene básica ou fazer contato visual com outros homens. Quando vcs vão entender que um cara só é gay se ele se sentir atraído por homens?
7 - Vcs não querem que as mulheres abortem mas querem fazer sexo sem camisinha porque "é mais gostoso" e se a mina engravida vcs fogem.
8 - Vcs sabem muito bem que vcs não prestam, é por isso que são superprotetores com suas filhas. PORÉM não querem fazer nada a respeito pra mudar isso e criam seus filhos pra serem imprestáveis que nem vocês.
9 - Se eu ouvir "Tu escolhe os cara errado" mais uma vez... Como se nenhum cara nos manipulasse a achar que é o príncipe encantado e depois muda e vira um psicopata.
10 - Vcs reclamam que minas dançam umas com as outras nas festas. Nem toda mulher quer ser roçada por um cara, deixa as mina em paz.
11- Vcs criaram a "friendzone" por que acham que têm direito a ficar com uma mulher só porque são "legais" com ela.
12 - Vcs infernizam a mulher que decide postar o próprio nude mas aplaudem e comemoram quando um nude vaza e a mulher se sente violada.
13 - Vcs acham bizarro mulher ter pelo em qualquer lugar que não seja na cabeça e sobrancelha mas o corpo de vocês é a Floresta Amazônica.
14 - Vcs acham que pinto alarga vagina e usam isso pra envergonhar as mulheres quando na real vaginas voltam ao tamanho original depois de dar a luz.
15 - Vcs querem minas com bundão, peitão e pernão mas celulite, pele solta e estrias incomodam vocês.
16 - Vcs infernizam a mina por ter peito/ bunda pequenos mas se ela faz plástica vcs reclamam que é "falso", não natural.
17 - Vcs defenderam Rob Kadarshian por ter feito pornografia da vingança na Blac Chyna porque ela foi stripper e vcs acham que ela é incapaz de dar consentimento por causa disso.
18 - Vcs só falam nos problemas dos homens quando os problemas das mulheres estão sendo discutidos.
19 - Vcs não entendem o que é respeitar mulher até a gente dizer "E se fosse sua mãe, avó, irmã, etc".
20 - Vcs chamaram a Sza de puta mas a maioria dos artistas homens que vcs adoram são putos, vcs nem querem falar nisso, né.
21 - Vcs. Acham. Que. Qualquer. Coisa. Que. A. Mulher. Faz. Com. A. Aparência. Dela. É. Pra. Impressionar. Vocês.
22 - Vcs acham que podem determinar o respeito duma mulher pelo quanto de roupa ela veste.
23 - Vcs acham que o valor da mulher tá na vagina e em quantos parceiros sexuais ela teve. Mas vcs podem transar com quantas pessoas quiserem.
24 - Vcs acham fofo gritar perversidades em forma de "elogio" pras mulheres em público.
25 - Vcs acham que a mulher "pede" pra ser estuprada por usar roupas reveladoras, por ficar bêbada, drogada, etc.
26 - Vcs insultam mulheres porque elas não correspondem os sentimentos de vocês e vcs não conseguem lidar com rejeição.
27 - Vcs literalmente enchem o saco das mulheres pra pegar o contato delas até elas avisarem que tem namorado, porque vcs respeitam outros homens mais do que mulheres.
28 - Mulheres têm medo de andar sozinhas na rua à noite por causa de vocês.
29 - Mulheres têm medo de passar por um grupo de garotos porque vai que vocês fazem algo babaca.
30 - Vcs acham que mulheres tentam "enganar" vocês com maquiagem. A gente não gasta tempo aperfeiçoando aquele delineador gatinho e iluminador para a sua aprovação.
31 - Vcs tão de boa com mulheres sendo sexuais quando é pro entretenimento de vocês.
32 - Vcs ficam postando fotos de mulheres trans pra encorajar pessoas a fazerem "piadas" e ameaças transfóbicas.
33 - Vcs só entendem que estão fazendo algo errado quando outro homem diz a vocês que vocês estão fazendo algo errado.
34 - Vcs tratam mulheres como propriedade em vez de seres humanos.
35 - Mulheres aprendem desde cedo que se o menino é malvado com ela é porque ele "gosta" da gente.
36 - Mulheres sempre são as culpadas e homens nunca são responsabilizados pelas suas ações, sempre com a desculpa de que "é coisa de menino".
37 - Por causa da misoginia que vcs ensinam pra muitas mulheres, mulheres se odeiam e se destroem entre si. Tá cheio de mina com placa "me escolhe" por aí.
Okay com tudo que eu disse (e muito mais poderia ser dito, sendo sincera), mulheres não vão parar de dizer que homens não presta até eles deixarem de ser imprestáveis.